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História de uma Árvore

19-02-2011

Amanheci escutando golpes no chão que estremeciam o solo. Uma vez, e outra, e outra. Quando fui olhar pela janela já não vi aquela árvore centenária, linda e cheia de vida, lar para inúmeras criaturas. Nesse mesmo lugar tinha um cadáver vegetal, no solo, as amputações do seu corpo emanando uma substância tão vermelha quanto o sangue. Menos um ser na terra que só trazia o bem. Sensação de impotência. A moradora alegou que um deles tinha cupim, que estava destruindo o piso e arrancando sua cestinha de lixo! Sabem por que tem cupim? porque o cobriram de cimento e não consegue absorver a água, porque isso a debilita e fica vulnerável às doenças, porque a podam tão mal que ela cresce como pode, e para onde pode desesperadamente, porque a maltratam. Outros afirmam que tem que matá-la porque está colocando em risco aos moradores…!!!! Como seres pensantes, isso é o melhor que podemos sentir, raciocinar, priorizar? São Paulo é feia porque os moradores assim o querem. E hoje a cidade ficou um pouco mais feia e triste.

Fotos: Brenda Loiácono. 19-2-2011.
Local: Av Dr Arnaldo altura 1800 e ruas do arredor.

20-02-2011

Um dia depois, quando a prefeitura voltou para terminar o trabalho, um membro da SOMASU (Associação moradores e amigos do Sumaré) chegou para ver o que estava sendo feito. Ele me mostrou o manual de poda e ficou também muito preocupado com a situação. O manual de poda diz que tem que ser feita uma limpeza e manutenção das árvores e combater as doenças, não só podar.
Gostaria de chamar a atenção sobre esse ponto: Acontece que ninguém cuida das árvores da via pública. Os moradores temos o direito de ligar para a prefeitura e pedir para extrair, mas não temos a iniciativa de cuidar da árvore, de olhar para ela, de cuidá-la, só manda tirar. A prefeitura só poda e arranca. Quer dizer, a árvore sempre tem a culpa, de ser árvore, de ficar doente por maltrato, de ser invadida por cupins, de ser atacada pelas tempestades, de mostrar sinais de debilidade, de cair encima dos carros que na verdade sempre adoraram se beneficiar da sua sombra!
Se essas árvores estão doentes é porque as maltratamos, as asfixiamos, as entupimos com cimento e porque são podadas tão bestialmente que crescem desesperadamente para onde podem. O roteiro é o seguinte: Primeiro as maltratamos, depois elas ficam doentes e finalmente, quando mostram sinais de debilidade achamos que a melhor solução é extraí-las porque se tornaram “perigosas” para os moradores.
Não tem cimento nem lixeira mais importante do que uma vida. Em breve uma árvore vai valer muito mais do que um carro. Provavelmente nossos filhos vivam essa mudança de valores.
Importante: Segundo o regulamento DEVE SER PLANTADA OUTRA ÁRVORE NO LOCAL…(mas lembrem que uma árvore demora uns 20-30 anos para ficar adulta)
Soluções alternativas à extração de árvores:
Existe uma alternativa menos bruta quando as raízes empurram a calçada: se cortam as raízes mais superficiais e a arvore continua vivendo. É importante considerar essa possibilidade se a árvore mostra que resistiria a esse procedimento.
Se a poda é feita com carinho e conhecimento, as árvores não ficam tão vulneráveis as doenças. Estando já doentes, curemo-las, procuremos saber como tratá-las, olhemos para elas.
Se elas empurram uma lixeira, simplesmente mudemos o objeto de lugar, a lixeira não sofre.
Deixemos espaço para as raízes, não as cubramos de cimento (a água ainda não aprendeu a passar pelo cimento!)
A extração deve ser a ÚLTIMA alternativa. E nós, que estamos perto delas e respirando o ar que ela limpa para nossa família, vamos cuidá-las, curá-las, dar carinho. Elas estão na calçada, a calçada e a via pública é nossa também.
Sejamos guardiões das árvores, com certeza vamos ser mais felizes, pelo menos é o que eu humildemente penso. Se vcs compartilham este sentimento, por favor divulguem.

Abraços a todos

Brenda Loiácono
brendaloi@yahoo.com.ar

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