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Em fevereiro de 2005, um grupo de alunos e ex-alunos dos cursos de formação em Gestalt Terapia e Gestalt Terapia com Crianças do IGSP, acolhidos pela coordenadora Myrian Bove Fernandes, passou a reunir-se, semanalmente, em torno de um projeto de formar uma Equipe Clínica. Todos sentiam a pesada carga diante da tendência do psicólogo clínico a caminhar solitariamente.

"Queríamos um lugar de pertencimento, um lugar onde pudéssemos compartilhar conhecimentos e aspirações, preocupações e dificuldades. Um lugar onde fosse possível encontrar, construir e reconstruir o psicólogo dentro de cada um de nós, assim como concretizar projetos e ampliar os horizontes de nossa prática profissional."

Entendíamos que para que fosse possível a constituição dessa equipe teríamos que, primeiro, nos reconhecer como grupo – um grupo com uma identidade claramente estabelecida e com vínculos estreitos entre seus integrantes. Assim, passamos alguns meses nos (re)conhecendo e colocando um pouco de cada um de nós nesse projeto, ao mesmo tempo em que íamos checando o interesse e comprometimento de cada um. Ao longo da caminhada alguns, por questões pessoais ou profissionais, acabaram se desligando, ao mesmo tempo em que novos membros foram se achegando.

Dessa forma, no início nossas discussões eram marcadas pela troca de experiências e por discussões em torno do projeto, de modo a delinear objetivos e possibilidades. Com o passar do tempo, diante de um grupo ainda em formação, mas já tomado por fortes motivações de se reunir e produzir, foi se destacando uma necessidade de priorizar estudos teóricos. Assim, começamos algumas discussões de caso até que, em meados do primeiro semestre de 2005, um tema saltou aos nossos olhos: Resiliência.

Sempre com a Gestalt Terapia como base de conhecimento e postura terapêutica, debruçamo-nos sobre o assunto, vasculhando e trocando referências bibliográficas que enriqueciam cada vez mais nossas discussões. Como uma evolução natural, logo sentimos necessidade de compilar nossas reflexões em um texto, o qual acabou por se transformar em um projeto de promoção de resiliência nas escolas, a partir da ação do professor, hoje, já implementado. Sobre esse tema publicaremos, ainda, um artigo na Revista SampaGT e, posteriormente, disponibilizaremos, nessa seção, um resumo deste artigo.

Além desse projeto, já no final do ano passado, fomos convidados para coordenar duas rodas de conversa no CEPIM – Centro de Proteção à Infância e Maternidade de Taboão da Serra, de modo a finalizar as atividades anuais dessa instituição. Trabalhamos com dois grupos constituídos de meninas com idades entre 9 e 16 anos. O tema desenvolvido foi “Família” e a discussão se deu em torno de questões como: pluralidade dos modelos de família hoje vividos, figuras de apoio, conflitos e diálogo. Intercalando uma rica conversa com algumas vivências, foi uma atividade bastante proveitosa para todos.

Cabe frisar que tais atividades resultam de, ao mesmo tempo em que evidenciam, nosso intuito de constituir uma prática clínica para além dos limites do consultório, fortemente marcada por uma preocupação social. Também em consonância com isso está o fato de todos os integrantes da equipe fazerem parte da Clínica Solidária do IGSP, rede de profissionais que se propõem a atender a preços mais acessíveis àqueles que não podem pagar o preço integral de uma sessão de psicoterapia.

Ainda há muito a ser feito, mas hoje já temos o mais importante para que qualquer projeto se torne ação: tornamo-nos uma equipe, a Equipe de Reflexão Clínica do Instituto Gestalt de São Paulo – Clínica Viva, que num futuro breve deverá se tornar uma Equipe Clínica. Um grupo fechado, constituído por sete integrantes de diferentes idades e experiências, mas unidos por interesses comuns e pela Gestalt-Terapia.

Extremamente comprometidos com uma prática eticamente sustentada e voltada para a promoção de uma vida melhor, entendemos que a prática não vive sem a teoria. Assim, nossas reuniões são divididas em estudos teóricos e elaboração de projetos.

Quanto à nossa aspiração de ajudar a construir um mundo, interno e externo, melhor, embora possa parecer um tanto quanto utópica, acreditamos que numa perspectiva de teoria de campo, não só cada pequena ação promove uma reconfiguração no campo todo, ainda que pequena, como promove reverberações que levam as maiores ações e, portanto, maiores mudanças.

Equipe:
Ananda Maidlinger
Ana Paula Lima
Eduardo Barbosa Lourenço Pereira
Myrian Bove Fernandes
Nilce Cecília Cattasini
Regina Pupo Carneiro Melges
Renata Figueiredo



Mais informações
igsp@gestaltsp.com.br
Fones: 11 3842.8939 / 3849.1983

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