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Rodrigo Giannangelo de Oliveira

rodrigo

 

 

 

 

 

“Como abordar num pequeno texto a forma como concebo em meu trabalho as questões com as quais o ‘Instituto Gestalt de São Paulo’ pretende lidar?
Cativou-me conhecer o apreço que todos os membros deste instituto partilham com relação as questões que envolvem o desabrochar humano na educação através do cuidado. Educar e cuidar são condições de ser que nos tocam desde quando somos crianças pequenas.
Lembro da minha infância. Desse momento em que ser cuidado era a única chance de sobreviver; e em que ser educado era a mais plausível garantia de um dia superar este estado de profunda dependência e me responsabilizar sendo um ‘eu mesmo’.
Mas posso afirmar serem duas coisas distintas a educação e o cuidado que minha mãe provia no começo da minha vida? Posso pensar que me educava emitindo juízos que davam valor e significado ao meu comportamento e cuidava me alimentando, banhando, vestindo ou pondo pra dormir? Para não cometer injustiça: minha mãe foi uma grande mãe mesmo sem nunca ter-se dado conta dessa possível separação das suas atividades maternas. Aliás, realmente não me lembro dessas coisas acontecendo separadamente (mamãe não me educava das 8:00h às 15:00h para depois cuidar de mim das 15:00h às 22:00h, por exemplo…) Tudo isso era um só processo, como costuma sempre ser.
Acredito que qualquer proposta pedagógica possa e deva ser, em vários níveis, terapêutica. E vice-versa. A maneira como nos encontramos, nos contatamos, nos impressionamos e deixamos as experiências imprimirem-nos a marca da aprendizagem – tudo isso é necessariamente próprio àquilo que constitui o existir humano. E se conseguimos, sozinhos ou não, dar contornos a algumas questões que se nos apresentam caóticas no decorrer deste percurso (existir em processo), aprendemos a crescer. Portanto, não são a aprendizagem e o crescimento pessoal duas formas distintas de movimento do humano em direção à plenitude das suas possibilidades; são, antes, um mesmo e só caminho: crescer é aprender. E já que o campo integrado em que estas coisas ocorrem nos permite alterar a ordem dos fatores, dizemos também que crescemos para continuar aprendendo. E, cada vez mais, ao crescer adquirimos responsabilidade pelo cuidar de si (e pelo cuidar de ser), aprendemos a identificar os meios que nos são e nos fazem mais significativos pela vida afora.”

Rodrigo Giannangelo de Oliveira, psicólogo, CRP 06/56201-2. Graduado em Psicologia pela USP. Psicólogo clínico. Mestre em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da USP. Participante do grupo de estudos Gestaltpedagogia, com Luiz Lilienthal. Desenvolve trabalho em Plantão Psicológico nos 16º e 23º Batalhões da Polícia Militar do Estado de São Paulo através de convênio com o Instituto de Psicologia da USP. Atua há dez anos junto à coordenação pedagógica de cursos supletivos e profissionalizantes para jovens e adultos.